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Sobre o amor.




Vivem me perguntando o que acho do amor, e o porquê de outras coisas, entre elas por eu nunca aparecer nas redes com ‘namorado’. Creio que posso definir da seguinte forma: Ficaria feliz em gastar meu tempo em companhia do outro com programas ao ar livre, viagens juntinhos, abraços apertados, visitas a parques e praças sem posar para fotos que irão no mesmo instante estampar as redes sociais e sem se preocupar em quantas pessoas curtiram. Acredito em relacionamentos que vão além da babaquice das redes sociais: que vão ao cinema, fogem do mundo nas horas vagas e preservam, tanto a si quanto ao outro e a felicidade que vivem, dos olhares maléficos jorrados por muitas pessoas nas redes. Confio no amor baixinho, desses sussurrados ao pé do ouvido, com pequenos manifestos ao sentimentos de afeto e fuga do digital. Que formem lembranças memoráveis para o futuro. Não, eu não estou sendo romântica, só realista. Pra mim, esse amor é suficiente, até porque, como dizem essas frases de facebook: tudo que é mantido longe dos holofotes dura mais e é mais gostoso. Mas enquanto isso não acontece, eu como chocolate. Beijos.

FIDÉLIA

Ela tinha quatro pernas, sua cabeça era quadrada, lisa. No centro, desprendido do comum e insano, existia um orifício largo, repleto de pedaços afiados de lascas do que pareciam ser dentes e de onde emanava um leve fedor de dejetos alimentares, fundidos com a saliva gosmenta e pegajosa.
Além das suas já incompreensíveis quatro pernas, duas abrigavam seus globos oculares cavernosos e piscantes, enquanto das outras restantes uma possuía o orifício anal e a outra seu umbigo, por onde, aparentemente, seria seu órgão reprodutor.
Seu nome era Fidélia.